
Mr. Jones, homem viúvo de 57 anos de idade, senhor de si e dos seus actos… há muito que as suas acções deixaram de ser um obstáculo na sua consciência. O seu rendimento provém essencialmente das suas pinturas. Tem por hábito retractar jovens mulheres da vida nas suas pinturas. Uma vez por mês vai à caça, tal e qual um caçador vai ao encontro da sua presa.
- Olá jovem, quanto é o preço?
Ela olha com alguma desconfiança para Mr Jones e pergunta: você é polícia?
- Não jóia, não sou polícia. Estás de serviço? Perguntava Mr Jones.
- Sim, amor. Estou sim. Quer fazer alguma coisa comigo?
- Claro, senão não estava a falar contigo não achas!
- E o que é que quer fazer comigo?
- O que achas caralho, quero foder depois logo se vê. Qual é o teu preço?
- Meia hora 15 euros com direito a tudo. Se gostar do meu serviço e depois quiser repetir fica mais barato.
- Está bem. Tenho o carro ali ao fim da rua, anda atrás de mim que eu levo-te até à minha casa bem perto daqui.
- Está bem mas não se esqueça que depois tem de me trazer de novo, está bem amor.
- Não te preocupes, estás a falar com um homem sério.
Mr Jones e a jovem prostituta lá se meteram no carro e rumaram até à sua casa bem perto dali.
Chegam a casa e Mr Jones encaminha a jovem prostituta até ao seu quarto. À sua espera estava uma cama de lençóis brancos em cima de um velho soalho em madeira. Como quarto aquilo pouco tinha já que Mr Jones usava o mesmo para por em prática a sua rotina mensal.
Inevitavelmente a jovem prostituta não podia deixar de reparar no cenário que tinha em frente de seus olhos. Telas pelos cantos, tinta por todos os lados, lençóis brancos e uma enorme tela branca hipnotizavam a jovem prostituta.
- Você pinta? Perguntava a prostituta.
- Sim. Dizem que sim. Porquê?
- Por nada…. Então a prostituta submerge num silêncio aterrador, despe-se e deita-se sobre a cama, pronta para mais um servicinho….
Mr Jones, olha fixamente para ela e lança-lhe um comentário em jeito de convite.
- Gostava de posar para mim? Mas olhe que se aceitar pode demorar a noite toda…
A jovem prostituta sem querer acreditar em tal convite, deixa escorrer algumas lágrimas sobre seu rosto e responde…
- Você era capaz de me fazer nascer de novo?
Quadro de Lucian Michael Freud